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Entrevista #7 – A Criatividade de Chico Neto

Entrevista #7 – A Criatividade de Chico Neto

Uma palestra que vai deixar você 7 vezes mais criativo. Só por este título, já se cria toda uma expectativa a respeito do que vai ser abordado. Talvez tenha sido por isso, que no último dia de atividades na Campus Party Recife, o palco Michelangelo se viu rodeado de pessoas, no mínimo curiosas sobre o assunto. O palestrante? Chico Neto. Cearense, graduado em publicidade, mas que tem como área preferida o design gráfico. Ele também é professor do curso de publicidade na Universidade Federal do Ceará.

“Inovação é criatividade, e criatividade não é um dom. É uma disciplina que pode ser transmitida e exercitada. Quanto mais exercitamos, mais aprimoramos.”

Numa palestra que abordou conceitos sobre inovação e criatividade, fomos apresentados a uma técnica chamada de SCAMPER, que explica o processo de construção do design, partindo do conceito de Design Thinking, no qual devemos nos colocar no lugar do usuário e desenvolver projetos pensados pra ele.

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Numa explicação rápida:

SCAMPERSubstituir, Combinar, Adaptar, Modificar, Propor, Eliminar e Reverter.

É uma técnica que pode ser usada para ativar a sua criatividade e habilidades em resolver problemas. Criado por Bob Eberle, o método SCAMPER permite que qualquer pessoa fortaleça a sua capacidade de questionar, imaginar e, inclusive, adaptar-se a situações em que as opções de criação já estejam esgotadas.

Missão: Manipular para aperfeiçoar e transformar.

Para conferir a palestra completa, é só dar o play abaixo:

[youtube]http://youtu.be/PNq85zXFl9M?list=UUUendDl_o6qhA7GtHxH3PTA[/youtube]

Ao final, conseguimos uma breve entrevista com o Chico, que foi bastante solícito com as pessoas que ainda ficaram por perto no momento da nossa conversa.

MarcoZero: Aqui no Recife, onde tu ver a galera aplicando esse modelo de fato?

Chico Neto: No C.E.S.A.R. Eles são referência no que fazem, e agora oferecem mestrado em Design, que por essência é metodologia. No Brasil, por um percurso histórico distinto, nós ainda não conseguimos vincular a atividade do design com a metodologia criativa. Mas o design é processo, o design é projeto. Como o C.E.S.A.R. é um polo de referência em inovação, você pode acreditar que várias dessas ferramentas e técnicas são utilizadas pelas pessoas que estão envolvidas lá dentro, elas conhecem disso. Quero ter o poder e a capacidade de um dia dialogar com eles, pois sou fã do projeto há muito tempo.

“O ato criativo é extremamente aprazível, é bacana, é massa e é natural da gente.”

MZ: Partindo para a prática, qual a maior dificuldade que tu acha que as pessoas tem em aplicar essa técnica?

Chico: Eu acho que a maior dificuldade é você reconhecer a equipe de pessoas que você vai trabalhar e fazer com que elas se sintam a vontade, explicando bem todo o processo para os envolvidos. Ser designer é ser otimista. Os princípios de gamificação (que é o ato de transformar tarefas cotidianas em games) vieram para tornar a experiência mais lúdica e mais bacana. O ato criativo é extremamente aprazível, é bacana, é massa e é natural da gente. Isso vai ser cerceado por uma educação antiga, que já está sendo corrompida, graças a Deus. Hoje eu estou aqui para ajudar a corromper um pouco mais essa educação tradicional. Quando você leva essa experiência de uma forma bacana, positiva, lúdica, otimista e divertida, as pessoas se engajam, entram e ficam felizes porque o ato criativo é feliz. Você pode proporcionar isso para as pessoas e derrubar essas barreiras do ser ou não ser criativo, ou ter o dom da criatividade.

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MZ: Tu faz pesquisa nessa área?

Chico: Como pesquisador eu ainda sou um moleque, um noviço, um menino véio amarelo do buchão (como as pessoas costumam falar). Mas hoje, sem dúvida, junto com comunicação visual, que é o meu setor de estudo original na universidade, os processos criativos são minha preferência, pois logo que eu entrei na faculdade eu criei uma disciplina pra isso. É um campo que eu tenho a literatura, eu tenho o estudo, e eu pretendo dedicar grande parte da minha carreira acadêmica e social a isso. Eu acredito que ações como essa da Campus Party possam reverberar para mais atores, mais pessoas, mais convites, que me levem a mais estudos e que comecem a produzir os tais artigos, vídeos e materiais para que isso se multiplique. Isso é uma missão.

MZ: Para finalizar, quais indicações de livros e sites que você poderia passar para as pessoas interessadas no assunto?

Livro – Ideias, de Guy Aznar: Traz 100 técnicas ligadas à criatividade e fala de vários processos. Ele é recente, ágil e prático. Muito bom.

Livro – Thinkertoys, de Michael Michalko: Um livro que não é mais editado, e que você pode encontrar apenas nos SEBOS – feiras de venda e troca de livros.

Outra dica é você começar a pesquisar o termo Design Thinking e perguntar pra versão digital de Deus, a ferramenta de pesquisa, aquele buscador famoso multicolorido, que ele vai te dar um monte de coisa massa.

 


Criador e Editor Chefe - Designer Gráfico, sempre foi um curioso da área criativa. Ainda na faculdade, criou o MarcoZero como Projeto de Conclusão de Curso com o propósito de transforma-lo num canal de informação e divulgação da cena criativa/artística de Pernambuco. Maker, divide as funções diárias no design com a participação e a organização de eventos/projetos na área.

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