Entrevista #4 – Diogo Soares

Dando continuidade a nossa série de entrevistas com ilustradores da região, conversamos com o  Diogo Soares, designer gráfico e de games. Ele nos fala um pouco de seu conhecimento sobre ilustração e animação, como isso o levou a trabalhar com games, e um pouco de sua experiência em uma das grandes empresas de animação do Rio de Janeiro, a 2DLab.

MarcoZero: Diogo, conta pra gente como foi o teu primeiro contato com a ilustração.

Diogo: Como a maioria das pessoas, eu comecei a desenhar desde pequeno, não sei exatamente quando, mas na 1ª série do fundamental eu já era um dos “desenhistas” da turma. Daí como eu nunca parei de desenhar, foi só questão de tempo pra decidir minha carreira.

MZ: Nesta época, quais as tuas principais influências para tomar gosto pelo desenho?

Diogo: Eu curtia muito desenho animado da manchete e ler gibis… Eu sempre gostei muito dos desenhos da Hanna-Barbera, Lonney Tunes, Pica-pau e essas coisas. Mas o que me marcou mesmo, foi, como uma grande parte das pessoas, a época de ouro da manchete, quando fui apresentado aos desenhos japoneses e tokusatsus. Eu era completamente viciado nessas coisas, tanto que minha mãe dizia que eu tinha problemas de comportamento do primário até a 2ª série por causa de Jiban, Jiraya… xD

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MZ: Ainda falando de começo, qual é tua formação? Quando você decidiu trabalhar mesmo com ilustração?

Diogo: Eu comecei a trabalhar profissionalmente, pegar freelas, testar ferramentas e estudar novas técnicas, quando terminei o ensino médio. Fazendo ilustrações pra livros, apresentações de alunos ou professores, etc. Depois cursei zootecnia na UFRPE, mas até metade do curso eu ainda estava meio indeciso sobre a área. Todos os meus trabalhos eram apresentados com animações, ilustrações… E continuava pegando freelas como ilustrador e animador. Agora pra mestrandos, doutores formados, o pessoal que eu ia conhecendo no meio universitário. Daí pra migrar pra o curso de design gráfico no IFPE (na época CEFET-PE) e me formar lá, foi um pulo. Sim, animação sempre foi minha maior paixão. A ideia por trás de cursar design gráfico era também pra me aprofundar em ilustração e principalmente animação.

MZ: Como o game surgiu na tua vida? Era algo que tu sempre imaginou ou deu um estalo e tu pensou em ilustrar pra jogos?

Diogo: Hahaha, os games sempre fizeram parte da minha vida. xD Eu e meu irmão temos uma diferença mínima de idade e sempre fomos bem apaixonados por jogos, tanto por jogar quanto pra fazer. Meu irmão já tinha uma tendência pra programação, daí quando pegamos a época que os makers estavam em alta, foi aquela produção em massa de joguinhos com o RPG maker, fighter maker, multimedia fusion… Tínhamos uns 17 anos em média, não lembro bem. Mais tarde, quando eu soube da vaga que uma empresa de jogos abriu (Jynx Playware), que aliás foi Diego mesmo quem me passou a notícia (apesar de terem encerrado as inscrições no dia anterior), eu enviei meu cyberfólio e ingressei no mercado.

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MZ: Como tu enxerga o mercado atual de pernambuco para os ilustradores? Vale a pena investir nessa área? É fácil achar uma oportunidade por aqui?

Diogo: Aqui em Pernambuco, no meu ponto de vista, o mercado pra ilustradores ainda não é tão grande. Os contratantes de serviços pra freelancers ainda tem uma rejeição enorme dos preços cobrados e na maioria das vezes temos que buscar uma saída com editoras, no próprio mercado de jogos, que embora pequeno, consegue abarcar uma boa quantidade de ilustradores.

MZ: Você parece ter uma forte inclinação para ilustração 2D. Como tu se sente com todo esse boom do 3D?

Diogo: Até então eu sou essencialmente um artista 2D. Não trabalho com 3D, embora fique maravilhado com os avanços que essa área esteja apresentando. Realmente nos últimos anos as pessoas têm dado um foco gigantesco pra o 3D, sinto isso no cenário nacional, onde as empresas estão substituindo cada vez mais as imagens de suas propagandas 2D pelo 3D. E embora artistas como eu sintam uma maior dificuldade em arranjar serviços por conta disso, eu não me sinto ameaçado. Sempre vai existir demanda para todos. Se os comerciais de carro, cinema, assinatura de TV a cabo estão buscando somente o 3D, por outro lado as editoras, séries animadas de TV, jogos digitais, estamparias estão aceitando muito bem o 2D.

MZ: Afinal, as fotografias não deixaram de existir por causa das filmagens em HD, não é? Conta pra gente mais uma coisa, como é o teu processo na hora de criar os personagens e elementos para jogos?

Diogo: Inicialmente eu tento definir o perfil do público-alvo para aquele personagem, pra saber se ele vai ter um traço mais suave, linhas grossas, sem contorno, etc. Depois, eu automaticamente penso em “qual seria um visual legal pra esse personagem se mexendo na tela de uma TV”, hahaha. Depois que tenho essas coisas em mente, faço 2 ou 3 esboços no papel, imagino novamente o personagem em ação num vídeo, mesmo que ele nem seja pra um vídeo, e caso esteja tudo lindo pra mim, daí finalizo.

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MZ: Como você imagina a sua peça sendo vista?

Diogo: Eu sempre imagino ela como o maior sucesso de popularidade, sendo vista por milhões de pessoas, tanto na TV quanto pela internet. Com pessoas comprando os bonecos, figurinhas e jogos, hahaha, por isso dou muita atenção pra corrigir qualquer tipo de incoerência tanto no design quanto no roteiro do personagem (quando eu sou o roteirista).

MZ: Queria que tu nos contasse um pouco como foi tua experiência de trabalho lá no Rio.

Diogo: Passei 9 meses lá. Foi uma das melhores experiências que eu tive nos últimos anos. Fui bastante privilegiado, pois ter a 2Dlab, que é um estúdio bem grande e reconhecido, como a primeira experiência trabalhando dentro de um estúdio puramente de animação é algo que nunca vou esquecer. Conheci várias pessoas da área, pude aprender técnicas novas, ter uma visão bem maior do mercado nacional e em parte internacional. Revi muitas coisas que podia melhorar no meu processo de produção, de modo a tornar tudo melhor e ainda mais rápido.

MZ: Quais são as tuas referências atualmente? Teus trabalhos são essencialmente na área de games para celular?

Diogo: Não não. A empresa onde trabalho (Manifesto Games – Recife/PE) faz jogos para diversas plataformas: celular, tablet, e-book, PC, etc. Atualmente minhas referências são bem diversas. Pra animação eu tenho visto bastante Adventure Time e Regular Show da Cartoon Network, alguns desenhos japoneses como Naruto, One Piece e Shingeki no Kyojin e alguns da DC (Liga da Justiça e Batman). Pra ilustração, depende bastante do que eu pretendo fazer. Não tenho um artista específico em mente, então posso dizer que minhas referências são meus conhecidos da área e o Google Images, hahaha. Pra games, como sou muito fã da época old school, eu busco referência nos jogos da antiga SNK, Pixel Art, os jogos da época do SNES e Sega Genesis.

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MZ: Como foi voltar pra Pernambuco, depois da tua temporada lá no Rio, e já entrar numa empresa tão relevante no cenário de games aqui no estado? E depois desse grande passo, quais são teus planos?

Diogo: A Manifesto Games foi a empresa que eu estava antes de ir pro Rio. Eles foram super compreensíveis, entendendo que eu não podia perder a chance que tive com o estúdio de lá. Quando voltei, eles me receberam de volta de braços abertos e eu fico muito feliz de fazer parte de uma empresa assim. Meus planos para o futuro são um pouco incertos, mas pretendo ter algumas experiências fora do Brasil, também estou nos planejamentos finais para começar a produzir uma web-série animada e quem sabe, num futuro próximo, se tudo der certo, abrir um estúdio de animação.

 


Co-fundador e Editor de Conteúdo - Formado em Design Gráfico.

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  1. é o DIOGÃO

    • Davi Gomes

      7 julho

      Acho massa essas coisolas animadas. Parabéns pelo design.

  2. Vanessa Andrade

    8 julho

    Grande artista. Sucesso sempre, Diogo!

  3. Thiago Castro

    8 julho

    Aê parceiro! Parabéns e bem vindo de volta!

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